NOTÍCIAS

08/11/2007 - Nobel 2007 premia estudos de células-tronco que revolucionaram a biomedicina

 

Anxo Lamela

Estocolmo, 8 out (EFE).- O Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia deste ano reconheceu hoje o trabalho de três cientistas que, com seus estudos sobre células-tronco embrionárias, permitiram transformar o campo da biomedicina.

O italiano Mario Capecchi e o britânico Oliver Smithies, ambos naturalizados americanos, e o também britânico Martin J. Evans são autores de descobertas que estabeleceram os princípios "para introduzir modificações genéticas específicas em ratos mediante o uso de células-tronco embrionárias", segundo a decisão divulgada pelo Instituto Karolinska de Estocolmo, na Suécia.

Os trabalhos de Capecchi e Smithies na década de 80 estabeleceram as bases para o desenvolvimento de uma técnica genética que utiliza a "recombinação homóloga do DNA" para alterar um gene endógeno nos ratos, enquanto Evans encontrou o meio necessário para criar animais modificados geneticamente: as células-tronco embrionárias.

Ratos modificados geneticamente com esta técnica foram usados como modelos para estudar a origem e o desenvolvimento de doenças humanas de diversos tipos, de afecções neurológicas degenerativas e cardiovasculares até males como diabetes e câncer.

Segundo um comunicado do Karolinska - instituto que concede o prêmio -, as descobertas dos três cientistas se espalharam por todos os campos da medicina, e o impacto da compreensão da função dos genes e de seus benefícios para a humanidade continuará crescendo nos próximos anos.

A decisão do Karolinska de reconhecer o trabalho de Capecchi, Evans e Smithies representa um novo reconhecimento à importância da genética na medicina moderna, pois os premiados no ano passado foram outros dois geneticistas, os americanos Andrew Z. Fire e Craig C. Mello, por suas contribuições à descrição da função dos genes.

O Nobel de Medicina 2007 voltou também a evidenciar o domínio dos Estados Unidos no campo da medicina, e por extensão, no mundo da ciência.

Quinze dos 24 vencedores nesta categoria na última década têm nacionalidade americana, incluindo três pessoas com origem em outros países, mas com passaporte dos Estados Unidos.

Cappechi, nascido em Verona (Itália) em 1937 e naturalizado americano, obteve o doutorado em Biofísica na Universidade de Harvard 30 anos depois e atualmente é professor de Genética Humana e de Biologia na Universidade de Salt Lake City, em Utah.

Evans, nascido no Reino Unido em 1941, conseguiu o doutorado em Anatomia e Embriologia no University College de Londres, em 1969, e trabalha como catedrático em Genética e na Escola de Biociências da Universidade de Cardiff.

Smithies nasceu em 1925 em Halifax, no Reino Unido, tem nacionalidade americana e obteve o doutorado em Bioquímica na Universidade de Oxford aos 26 anos.

Hoje, é professor de Patologia e realiza pesquisas no laboratório da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Os três vão dividir em partes iguais o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,5 milhão) com o qual são agraciados todos os vencedores do Nobel.

A premiação, criada pelo magnata sueco Alfred Nobel em 1901, é entregue todos os anos em 10 de dezembro em uma dupla cerimônia em Oslo, que entrega o da Paz, e em Estocolmo.

O anúncio do Nobel de hoje abre a série de vencedores das seis categorias do prêmio - Medicina, Física, Química, Literatura, Paz e Economia - que serão conhecidos até a próxima segunda-feira. EFE



Fonte: www.g1.com.br